Breve histórico da Cia Federal de Fundição
Introdução
Como um grande entusiasta de temas relacionados a história industrial, busco trazer neste breve artigo uma síntese da história da Companhia Federal de Fundição, uma empresa que nasceu no Rio de Janeiro, mas que trouxe importantes desenvolvimentos para a sociedade brasileira como um todo.
O início da Cia. Federal de Fundição – CFF
A Companhia Federal de Fundição, ou CFF, nasceu no ano de 1901, na cidade do Rio de Janeiro. Nesta época, o Rio era uma cidade com pouco mais de 800 mil habitantes, uma grande metrópole em seu tempo. Era a referência econômica, política e cultural na região.
A CFF foi fundada pelos senhores Alceu G. d'Azevedo, que passou a ser o presidente da companhia, e o Sr. Antonio S. Leite, seu diretor técnico. O sr. Alceu era natural do Rio de Janeiro, e em 1897, foi à América do Norte estudar metalurgia. No seu retorno fundou a CFF, com um capital inicial de apenas Rs. 20:000$000.
A primeira sede da CFF foi estabelecida na capital, à Rua General Câmara, 40. A fundição estava localizada na Rua Nery Pinheiro, 70, ocupando uma área de 5.000 metros quadrados, em terreno de propriedade da companhia.
Prédio da fundição da CFF, no Rio de Janeiro
A CFF iniciou fundindo ferro, bronze e cobre, sendo a sua especialidade postes para gás e luz elétrica. Os candelabros de gás na Avenida Rio Branco e em outras ruas principais do Rio de Janeiro foram executados por ela. Também produzia tubos de ferro fundido e pertences para canalização de água e gás, panelas de ferro fundido e similares. Com o sucesso dos negócios, a CFF logo passou a ter mais de 200 operários. Os mercados mais importantes eram o Rio de Janeiro e São Paulo, mas logo seus produtos passaram a também ser enviados para diversos estados da União.
Anúncios em jornais (1916 e 1927)
Anúncio em jornal (1927)
O Chafariz de Bonsucesso
Em 1908, a CFF fundiu um imponente chafariz, como parte das celebrações do Centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas, que enaltecia os produtos manufaturados. O conjunto destaca os bens naturais brasileiros. Este chafariz está atualmente exposto em Bonsucesso, no Rio de Janeiro. Infelizmente tem sido alvo da ação de vândalos, que roubaram a estátua de 1,80 metro de altura e cerca de 250 quilos em ferro fundido.
A CFF e a Segunda Guerra Mundial
A história mostra que boa parte do desenvolvimento industrial do Brasil ocorreu motivado pelas duas guerras mundiais. Com a escassez dos produtos manufaturados, o Brasil teve de buscar soluções internas para responder à crescente demanda. A CFF foi importante protagonista neste cenário, mas também sua posição estratégica fez com que despertasse o interesse militar brasileiro. Com isso, ela foi declarada propriedade de interesse nacional, através do decreto 11.087 de 10/12/1942.
A Black-Clawson
Um grande divisor de águas da empresa aconteceu em 1956, quando a CFF passou para as mãos da Black-Clawson Company. A Black-Clawson era uma companhia tradicional americana, dedicada à produção de equipamentos para a indústria de papel e celulose. Tinha uma atuação global, o que fez com que a CFF passasse a ser um importante fornecedor de equipamentos para este segmento em todo mundo. Logo ela teve acesso a importantes pedidos na América Latina, Europa e Ásia.
Já em agosto de 1957, a CFF inaugura seu novo forno de fundição. Na época as instalações da CFF no Rio ocupavam uma área de 8.200 m2, e mais de 500 funcionários.
Anúncio de emprego, Correio da Manhã (1960)
Com a licença da Black-Clawson, a CFF produzia equipamentos para toda a planta de papel e celulose, e era licencida de várias tecnologias:
• O Digestor Contínuo Pândia. Utilizado em processos semiquímicos, de alto rendimento.
• Chemipulper, para processamento de fibras vegetais.
• Chem-Preg, o sistema de soda a frio.
A empresa fornecia equipamentos para polpação e máquinas de papel. Neste último, destaca-se a entrega de uma máquina de papel para a antiga Papel Simão em Jacareí no ano de 1970, denomimada J1.
Nova sede
Em 1972 a CFF adquiriu um terreno de 28.000 m2 na Av. Coronel Phidias Tavora, 321, na Pavuna, RJ. Uma localizaçãp privilegiada, próxima à Rod. Presidente Dutra, para onde ela transferiu toda a sua atividade industrial. Também desenvolveu uma cooperação com uma outra empresa nacional do ramo, a Tetrapel.
Desenvolvimentos
Com a entrada dos anos 80, a CFF continuava seu desenvolvimento como um importante fornecedor de equipamentos para a indústria. Pesadas máquinas eram projetadas e construídas no Brasil, sendo exportadas para todo o mundo.
Aureo Marques Barbosa
Aureo Marques Barbosa, um empreendedor e contador de formação que iniciou sua carreira no setor naval, comprou a Cia. Federal de Fundição na década de 1980. Tornou-se o diretor-presidente da companhia, a qual conduzir até pouco antes de falecer, em 17 de fevereiro de 2012.
O declínio do CFF
Apesar do belo histórico da centenária companhia, as últimas duas décadas selaram o declínio da Cia. Federal de Fundição. Desde o início dos anos 80, o mercado de Papel e Celulose no Brasil passou a demandar novas formas de fornecimento. Grandes projetos requeriam maiores responsabilidades dos empresas, que impactavam um importante lastro financeiro. A CFF viu-se com importante redução de sua competitividade, o que resultou num imediato desequilíbrio financeiro.
Em 2009, a CFF reportava uma produção de 1500 ton/ano em sua fundição, e com pouco menos de 30 funcionários.
Finalmente em junho de 2018, a CFF entra com pedido de recuperação judicial, registrando dívidas da ordem de R$ 14 milhões.
Curiosidade
No início dos anos 90, uma banda independente, formada por um médico, um dentista e um engenheiro foi fundada sob o nome de Cia. Federal de Fundição.
A CFF cedeu equipamentos para apoiar pesquisas para a produção de celulose a partir do pseudocaule da bananeira no Nordeste do Brasil.
Referências
http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300g38h.htm
http://www.revistaopapel.org.br/noticia-anexos/1331743024_38dc6db66e69afbcd41e2291e547be99_1848445338.pdf
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1940-1949/decreto-11087-10-dezembro-1942-326429-publicacaooriginal-1-pe.html
https://pautapopularcom.wordpress.com/2016/03/11/colunistas-do-pauta-discutem-o-furto-da-mulher-da-luz-parte-do-chafariz-de-bonsucesso/
http://memoria.bn.br/pdf/123021/per123021_1957_00259.pdf
Jornal do Brasil
http://www.invencoesbrasileiras.com.br/celulose-de-pseudocaule-de-bananeira/



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